Comité de apoio francês contra a extradição de Vincenzo para Itália

Para divulgar massivamente!

Comité de apoio francês contra a extradição de Vincenzo para Itália

Na quinta-feira, dia 8 de agosto de 2019, Vincenzo, que vive há oito anos em Rochefort en Terre na Bretanha, foi detido pela polícia. Está ameaçado de extradição para o seu país de origem, a Itália de Salvini, condenado a 13 anos de prisão por ter participado em manifestações em 2001 e 2008.

Os factos:

Em Julho de 2001, teve lugar em Génova a Cimeira do G8, que juntou os dirigentes dos países mais influentes, provocando uma imensa onda de contestação altermundialista (com um milhão de manifestantes), reprimida pelo governo de forma particularmente violenta, com detenções massivas, violências policiais e casos de tortura em várias esquadras de polícia. No dia 20 de Julho, um polícia matou com um tiro na cabeça um jovem manifestante, Carlo Giuliani. A Amnistia Internacional falou na altura da « mais grave violação dos direitos democráticos num país ocidental desde o fim da Segunda Guerra Mundial ». Nenhum responsável foi encontrado, nem punido. A Itália foi considerada culpada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, 15 anos depois, por nunca ter perseguido nem identificado os responsáveis.

Em 2008, Vincenzo participou numa manifestação antifascista não autorizada.

18 anos depois, Vincenzo vive numa aldeia na Bretanha, depois de ter fugido da Itália, após a acusação injusta e desproporcionada. Está integrado, é socialmente empenhado e ativo no tecido associativo local. Ele foi interpelado pela brigada nacional.

O tribunal de apelação de Rennes vai deliberar sobre a questão da extradição.

A legitimidade do julgamento é contestada pelas razões acima explicadas, num contexto de repressão violenta e desproporcionada, e também porque o processo se baseou no código Rocco de 1930, introduzido durante o fascismo e ainda em vigor, que permitia e continua a permitir a repressão das revoltas de rua e a condenação a penas de prisão sem necessidade de provar a culpa dos acusados. É suficiente estar presente no sítio onde decorre a manifestação, o que leva a questionar a legitimidade da acusação.

A questão da extradição de Vincenzo é bem política, num contexto e num país – a Itália – que luta abertamente contra os movimentos de contestação antifascista, e que poderia apresentar este « caso » como um exemplo que visa a prazo matar à nascença qualquer movimento de revolta.

Continua a ser política num país – a França – que reprime o povo e o movimento social desde Novembro 2018, e que poderia, da mesma forma, apresentar a extradição como um acto simbólico, umas semanas antes de decorrer a cimeira do G7 em Biarritz.

O primeiro objectivo do comité de apoio é lutar conta a extradição do Vincenzo e adiar o procedimento judicial para poder garantir uma defesa coerente.

Se quiserem apoiar:

* Informação sobre as acções no site: http://comite-soutien-vincenzo.org/ e no fb: soutienvincenzo

* Contacto para participar no comité: comite.soutien.vincenzo@gmail.com

* Apoiar financeiramente a través do site.

Poderão também divulgar massivamente.

Porque uma violação dos direitos fundamentais de uma pessoa afecta-nos a todos e todas. Porque somos todos ameaçados ao ver injustamente restringir-se e desaparecerem os nossos direitos de pensar, de contestar, de manifestar, de defender os valores que nos animam, de defender uma visão do mundo mais equitativa, mais solidária, mais justa e respeitosa, num contexto de deslizamento radical dos nossos governos para a extrema-direita.

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